terça-feira, 17 de novembro de 2009

QUADROS ALGARVIOS



QUADROS ALGARVIOS
FARO (ria) Capital do Algarve

A Escola Tomás Cabreira está, como sabemos, inserida na cidade de Faro e, Libertário Viegas achou, e muito bem, que seria interessante escrever um pouco de história desta cidade, do seu concelho e do Algarve. O Libertário Viegas publicou o livro “Quadros Algarvios” e será através dos seus capítulos que iremos dar a conhecer esta temática que é essencialmente relacionada com a história Farense.

De Libertário Viegas

1. OS PRIMEIROS POVOADORES

Ainda que abundantemente documentado por Estácio da Veiga, em “Antiguidades Monumentais do Algarve”, o quadro do povoamento pré-histórico da Região só ficou completo quando, em 1942, a equipa de Henri Breuil demonstrou, a partir de materiais recolhidos na zona costeira dos concelhos de Faro e de Loulé, que a presença humana remonta ao Paleolítico inferior
O mais antigo dos testemunhos escritos é um portulano grego do séc VI AC, geralmente atribuido a a Eutienes, que descreve as navegações de Marselha para Tartessos, um reino importante (de origem divina) cuja influência se estendia de Almeria ao Algarve.
Aquele periplo foi utilizado por Avieno (Rufus Festus Avienos, erudito romano do séc. IV) para escrever a sua Ora Marítima, poema em que se refere às costas ocidentais do Mediterrâneo e fala dos nossos antepassados – os cinetas ou cónios – que viviam entre o rio Anas e o Cyneticum Lugun (Cabo de S. Vicente), para além de citar ainda a ilha de Herma, que muitos identificam com a Armona, fronteira a Olhão.
O principal centro urbano da época seria Conistorgis, que é referido a partir de finais do séc. III AC e, embora se não defina a sua localização, muitos crêem que se situaria na linha que saindo de Mértola para Alcácer passa por Castro Verde e Aljustrel, enquanto o cónego José Cabrita considerava que “a hipótese mais sedutora é a que localiza Conistorgium em Alcoutim”. E Garcia Domingues garantia que a actual designação – Alcoutim – teria sido atribuída pelos árabes que com isso queriam dizer “a dos cónios ou dos cunetes” – “Alkunatin”.
Estamos a referir-nos a uma época de indecisões quanto à localização de alguns dos mais importantes centros urbanos, como é o caso da própria capital de Tartessos, uma pesquisa em que se têm empenhado muitos investigadores, nomeadamente o Prof. Adolfo Schulten, o tradutor de Avieno, que nessa tarefa infrutífera consumiu mais de trinta anos. Do que não restam dúvidas é que tartéssicos e fenícios, sobretudo depois que estes últimos se libertaram da dominação egípcia, mantiveram um largo intercâmbio mercantil.
Interessados em dominar a rota do estanho, que os tartéssicos detinham, os fenícios estabeleceram ao longo da costa uma série de feitorias, a mais importante das quais, Gadir (Cádis), terá sido fundada por volta 1100 AC. E tudo leva a crer que em época pouco posterior já os fenícios estavam presentes numa série de localidades algarvias – Beasuris, Balsa, Baltum, Ossónoba...
Ao mesmo tempo que trocavam os seus produtos por minérios (prata, estanho e zinco) os fenícios desenvolviam as pescarias, salga de peixe, metalurgia e ourivesaria, mantendo uma situação de predomínio até ao séc. VII AC, altura em que os assirios destruíram Tiro.



Continua no próximo capítulo: - “Localização de Ossónoba”

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